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m_ap14

  2 meses atrás

Tramento oncológico: os danos causados por um bem maior

Olá tolunianos!

Dando continuidade aos tópicos muito bem apresentados pela nossa colega S1896259c (quem ainda não teve oportunidade de ler leia, que é uma excelente e completa partilha) venho falar um pouco das sequelas que são deixadas a longo prazo pela radio e quimioterapia no combate ao cancro.

Os tratamentos de radio e quimioterapia são muito agressivos para todo o organismo, uma vez que atacam todas as células do corpo e não apenas as cancerígenas. As sequelas dependem da localização do tumor, da área de incidência dos tratamentos, quais células são mais atacadas e quais cedem mais facilmente.

Para além da remoção de determinados órgãos, membros ou partes do corpo, que terão as suas sequelas específicas consoante o que é removido e a falta que faz ao resto do organismo, há sempre o risco de sequelas ao nível de:

- Coração e Pulmões, com possível aparecimento de lesões;

- Problemas endócrinos, por alteração do funcionamento dos ovários e tiróide que desregulam a produção de hormonas;

- Ossos, articulações e tecidos moles (músculos, ligamentos, tendões, etc), surgindo muitas vezes problemas como osteoporose e a dor articular;

- Nervos, medula óssea e cérebro, que podem degenerar ou sofrer alterações na condução da informação;

- Dificuldade de aprendizagem, memória e concentração;

- Probelmas de visão, audição e nos dentes, sendo este último muito comum;

- Problemas digestivos e na absorção de nutrientes;

- Problemas emocionais, sendo que tanto doentes como familia e cuidadores podem até sofrer episódios de stress pós-traumático;

- Cansaço. Embora seja mais comum durante os tratamentos e alivie após os mesmos, em alguns casos a fadiga mantem-se.

Por tudo isto o doente que tem uma vez cancro é sempre e para sempre um doente oncológico mesmo que esteja em remissão há anos.. Para além de todas as sequelas que pode apresentar e que por vezes se podem manifestar só passado algum tempo, também o risco de desenvolver novo cancro é acrescido em quem já o teve antes, seja por já haver as condições ideais para que ele se desenvolva como pela migração de células (como mostra na imagem) que possam ter sobrevivido para outras zonas do corpo e aí se irem instalar e desenvolver mais tarde. Daí ser tão importante o acompanhamento e controlo destes doentes.

É importante por isto também que o acompanhamento do doente oncológico seja feito em equipa multidisciplinar, ainda que alguns profissionais só possam intervir quando os tratamentos são concluidos e seja deliberado pelo médico oncologista que os pode fazer sem risco para a sua condição. Esses profissionais passam por exemplo pelos fisioterapeutas, nutricionistas, endocrinologistas, psicologos, dentistas etc, que auxiliam no tratamento dessas sequelas.

Falando concretamente do cancro da mama, que é este o nosso foco deste mês, uma sequela que fica e que pode interferir bastante na vida a mulher após os tratamentos é derivado à remoção dos ganglios linfáticos axilares, principalmente quando são removidos na sua totalidade. A sua remoção é chamada de esvaziamento ganglionar e a sequela mais problemática é o linfedema (inchaço formado por acumulação de linfa) do membro superior do lado onde se removeram os gânglios.

Com a ajuda da fisioterapia e da drenagem linfática, da pressoterapia, do uso de mangas de compressão e de execícios específicos é possível reduzir o edema em tamanho e/ou em peso, mas quando aparece ele não volta mais a desaparecer na sua totalidade e torna-se uma situação crónica que pode ser bastante limitante. O edema limita os movimentos, o que dificulta coisas como o vestir, pentear ou tomar banho. Para além disso pode limitar no tipo de roupa que se veste, uma vez que por vezes o braço deixa de caber nas mangas, o que vai influênciar emocionalmente tanto em frustração como na auto-estima da pessoa. A acrescentar a isso ainda há o peso do braço que aumenta exponencialmente e desequilibra de um lado e do outro, o que pode originar problemas nos ombros, pescoço e coluna.

Daí ser tão importante a prevenção do linfedema, que passa por não fazer esforços com o braço do lado afectado, não pegar em pesos, não colocar calor e fazer exercícios específicos indicados por um fisioterapeuta.

Como o tópico já vai extenso e a minha experiência me diz que essa é uma parte que merece uma explicação ainda mais detalhada, irei criar um tópico só mesmo para falar melhor sobre o que é, como aparece e como evitar o linfedema por esvaziamento ganglionar.

Já sabias de todas estas sequelas que a radioterapia e a quimioterapia podem deixar?

Nem todas elas aparecem na mesma pessoa, mas são sequelas que muitos doentes oncologicos têm de encarar para o resto da vida, mas que são por um bem maior, que é viver..
Esperemos que a ciência um dia consiga encontrar aquilo que procura. Ainda antes de encontrar uma cura definitiva para o câncro, ou uma que aumente a percentagem de sobreviventes, que consiga também encontrar um tratamento que ataque especificamente e apenas as células cancerígenas e deixe as outras integras.

Já vão sendo feitos alguns estudos nesse sentido.. já ouviram falar de algum?
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TolunaPortugal

  2 meses atrás
Agradecemos a excelente partilha. Responder
0 comentários

penedo.fmg

  2 meses atrás
Excelente partilha...de facto as sequelas serão sempre um mal menor se a cura e a batalha pela vida forem alcançadas ...o que me tortura imenso é saber que muitas vezes, vezes demais os doentes sofrem em vão, pois a morte é certa a médio e longo prazo. Responder
2 comentários

S1896259c

  2 meses atrás
Excelente m_ap14!
Tinha conhecimento porque fui responsável pela inauguração, abertura e coordenação do Hospital de Dia Médico num grupo privado, e fui eu que fiz a admissão e seguimento dos primeiros doentes oncológicos naquela unidade para tratamento por quimioterapia e coadjuvantes.
As sequelas dos tratamentos sao de facto muitas, assisti inclusive à morte de um dos doentes que simplesmente se esvaiu em sangue enquanto lhe era administrada a Alimentação parentérica por via jugular.
Acrescentava na equipa multidisciplinar os radiologistas que muitas vezes são "esquecidos" mas que para mim são a pedra basilar do diagnóstico.
Beijo enorme e obrigada por dares continuidade de forma brilhante.
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1 comentários

LizLis

  2 meses atrás
Muito bom, parabéns.
Antigamente optava-se sempre pela remoção dos ganglios linfáticos axilares. Hoje em dia já se pondera e ainda bem pois é muito desabilitante. A drenagem linfática ajuda muito e infelizmente apenas recentemente se começou a fazer.
Ao fazer radioterapia também existe a possibilidade de os pulmões ficarem afectados. Uma simples radiografia poderá mostrar uma mancha no pulmão que é no entanto perfeitamente normal.
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